Comunidade Laser
RecursosModelos & APIConheça o modeloPlanosGuiasFAQ
RecursosModelos & APIConheça o modeloPlanosGuiasFAQ
← GUIAS

SVG ou DXF para laser: qual usar em cada situação

ARQUIVOS20 de julho de 20268 min de leitura

A pergunta chega quase sempre depois do prejuízo: a pessoa vetorizou uma arte, mandou o arquivo para a máquina, e a peça saiu com metade do tamanho pedido. Ou o software abriu o arquivo vazio. Ou a hachura não preencheu nada. Em quase todos esses casos, a raiz do problema está na escolha entre SVG e DXF e no que cada um desses formatos carrega de fato.

Este guia não é uma comparação genérica de formatos. É o que muda na bancada quando você escolhe um ou outro.

O que cada formato realmente é

SVG

SVG nasceu para a web. É um arquivo de texto que descreve formas com curvas de Bézier, exatamente o mesmo tipo de curva que o Illustrator e o CorelDRAW usam internamente. Isso é ótimo: a curva é matemática, não tem resolução, e o desenho continua liso em qualquer ampliação.

O problema é a unidade. O SVG tem um atributo viewBox que define o sistema de coordenadas interno do desenho, e atributos width e height que dizem o tamanho de exibição. Nada obriga o arquivo a declarar essas medidas em milímetros. Um SVG pode dizer que tem 800 de largura e simplesmente não informar se são 800 pixels, 800 pontos ou 800 unidades arbitrárias. Cabe a quem abre o arquivo adivinhar.

DXF

DXF é formato de CAD. Ele foi criado para descrever peça de engenharia, e por isso a unidade é parte do modelo, não um detalhe de apresentação. Quando o DXF diz que uma linha tem 50, esse 50 é uma medida real do desenho, não um valor de tela.

Em compensação, o DXF é pobre em recursos gráficos. Ele não foi feito para descrever gradiente, transparência ou efeito visual, e o preenchimento de área não costuma sobreviver à importação nos softwares de laser do jeito que você esperaria. Para corte e gravação isso quase nunca é uma perda, porque o que a máquina precisa é o contorno — o resto é parâmetro, como o guia explica mais adiante.

O problema número um: escala

Se você só levar uma informação deste guia, que seja esta. A causa mais comum de peça errada não é parâmetro de máquina: é arquivo importado com o tamanho errado.

Acontece assim. O SVG foi gerado por um editor que trabalha em pixels. O software da máquina abre o arquivo, não encontra uma unidade declarada, e aplica um DPI assumido para converter pixel em milímetro. Se o editor que gerou e o software que abriu assumem valores diferentes, o desenho entra com uma escala que ninguém pediu. Ele não fica distorcido: fica proporcionalmente certo e do tamanho errado, que é o pior tipo de erro, porque parece correto na tela.

Vale entender por que isso é tão fácil de acontecer. O SVG foi projetado para ser desenhado em uma tela, onde o que importa é a proporção entre os elementos, não a medida física. Um mesmo arquivo aparece maior em um monitor e menor em outro, e para a web isso está certo. Só que a máquina não desenha em tela: ela corta material, e material tem medida. Quando o arquivo não traz a unidade, alguém precisa arbitrar — e esse alguém é um valor padrão escondido em alguma preferência do software.

Um DXF calibrado em milímetros elimina a etapa da adivinhação. A medida já está no arquivo, na mesma unidade que a máquina usa. É por isso que a plataforma oferece uma exportação que converte o SVG gerado em DXF calibrado em mm — e por isso exportar um arquivo que você já gerou não consome crédito: a exportação é conversão de formato, não um novo trabalho de vetorização.

A checagem que você deve fazer sempre

Independentemente do formato, faça isto toda vez que importar um arquivo, inclusive quando ele veio de uma fonte confiável:

  • Antes de exportar, saiba a medida real de um elemento do desenho. Pode ser a largura total da arte, a altura de uma letra, o diâmetro de um furo. Qualquer coisa que você consiga apontar.
  • Depois de importar no software da máquina, meça esse mesmo elemento com a ferramenta de medida ou olhando o campo de dimensão da seleção.
  • Se não bater, corrija a escala do desenho inteiro em vez de redesenhar ou de ir puxando alça no olho. Um erro de escala é sempre uniforme.

A conferência leva alguns segundos e evita perder a peça inteira. E se você trabalha com encaixe, em que uma aba precisa entrar num rasgo com folga mínima, a checagem deixa de ser recomendação e vira obrigação: um desvio de escala pequeno o bastante para passar despercebido no olho é grande o bastante para o encaixe não fechar.

Curvas viram polilinhas no DXF

Aqui está a objeção técnica que sempre aparece: o DXF não representa curva de Bézier do mesmo jeito que o SVG. Na conversão, uma curva costuma virar uma polilinha, ou seja, uma sequência de segmentos retos muito pequenos que aproximam o traçado original.

Na teoria isso é uma perda de fidelidade. Na prática, na resolução em que uma máquina de corte trabalha, ela não aparece na peça. O feixe do laser tem um diâmetro, o material tem uma zona afetada pelo calor, e o acabamento da borda é definido por esses fatores, não pela quantidade de segmentos da polilinha. Uma aproximação com passo bem menor que a largura do corte é indistinguível de uma curva perfeita no material acabado.

Onde isso importa de verdade é na edição posterior. Se você pretende reabrir o arquivo e mexer no desenho, editar polilinha é bem pior que editar curva: os pontos de controle que deixavam você ajustar o traçado com dois cliques deixam de existir, e no lugar deles aparece uma sequência longa de vértices soltos. Mudar o raio de um canto arredondado, que numa curva é arrastar uma alça, vira retrabalho.

Daí a regra que resolve o assunto: guarde o SVG como arquivo de trabalho e trate o DXF como arquivo de saída para a máquina. A conversão é de mão única na prática — de SVG você gera DXF sempre que precisar, mas voltar de um DXF cheio de vértices para uma curva limpa é serviço manual.

Compatibilidade por software

Cada software tem sua relação com os formatos, e vale conhecer a do seu antes de padronizar o fluxo.

  • LightBurn lida bem com SVG. É o cenário mais confortável: o arquivo entra, o desenho aparece, e ainda assim vale a checagem de medida.
  • CorelDRAW também trabalha bem com SVG, o que faz sentido porque é um software de desenho vetorial antes de ser ferramenta de produção.
  • EzCad, usado nas Fiber, tem relação melhor com DXF. Quando o arquivo é para gravação em Fiber, começar em DXF poupa discussão.
  • RDWorks costuma preferir DXF. Em máquina de CO2 com RDWorks, o DXF é o caminho de menor atrito.

Duas ressalvas antes de você transformar isso em dogma. A primeira é que comportamento de importação muda entre versões de qualquer um desses programas, então trate a lista como ponto de partida e não como especificação: o teste que vale é o do seu computador, com a sua versão instalada. A segunda é que “abrir o arquivo” e “abrir o arquivo certo” são coisas diferentes. Um software pode importar o SVG sem erro nenhum e mesmo assim entregar o desenho na escala errada, que é exatamente o caso silencioso descrito acima.

A recomendação prática que sai daí: se o seu software aceita SVG sem reclamar e a escala confere, use SVG e mantenha as curvas. Se aparecer qualquer atrito na importação — arquivo que abre vazio, desenho que chega fora de escala toda vez, elemento que some —, exporte em DXF e siga o trabalho, em vez de ficar caçando configuração no software. Padronize o que funcionou e pare de decidir formato a cada arquivo.

Preenchimento e hachura não viajam dentro do arquivo

Esta confusão custa muito tempo de gente que está começando. A pessoa vetoriza um logotipo preto, abre o arquivo na máquina, vê apenas o contorno na tela e conclui que a vetorização veio errada.

Não veio. Hachura é configuração da máquina, não propriedade do vetor. O arquivo entrega a fronteira da forma; quem decide se aquela região vai ser percorrida por linhas de preenchimento, com qual espaçamento, em qual ângulo e em quantas passadas, é a camada de parâmetro do software da máquina.

Isso é uma vantagem, não uma limitação: significa que o mesmo arquivo serve para gravar em inox, em acrílico e em MDF, mudando só o parâmetro. Se o preenchimento viesse embutido, cada material exigiria um arquivo diferente. Como configurar a hachura de fato está em o guia de hachura no EzCad.

Contorno aberto e contorno fechado

Existe, sim, uma propriedade do arquivo que decide se dá para hachurar: o contorno precisa estar fechado.

Um caminho fechado é aquele em que o traço volta ao ponto de partida, delimitando uma região com dentro e fora. Só com isso o software consegue calcular o que preencher. Um caminho aberto — uma linha que começa em um ponto e termina em outro — não tem interior, e por isso a hachura simplesmente não tem o que preencher.

O sintoma clássico é a arte que parece fechada na tela mas tem uma falha microscópica em algum ponto do contorno, invisível no zoom normal. A máquina não preenche, ou preenche uma região diferente da esperada, dependendo de como o software trata um caminho que não fecha. Quando a hachura sair errada e o parâmetro estiver correto, o suspeito número um é um contorno aberto — vale dar zoom no traçado e procurar a falha antes de mexer em qualquer outra coisa.

Para corte, aberto e fechado também muda tudo: um contorno aberto vira um traço, não um recorte. É o que separa uma linha gravada de uma peça que se solta da chapa.

Regra de bolso

Quero fazerUsePor quê
Corte com medida crítica ou peça encaixadaDXF em mmA unidade real está no arquivo; sem adivinhação de escala
Gravação em Fiber pelo EzCadDXFRelação mais estável do software com o formato
Trabalho em CO2 pelo RDWorksDXFCaminho de menor atrito na importação
Trabalho no LightBurnSVGImporta bem e preserva as curvas
Editar, ajustar ou remontar a arteSVGCurvas de Bézier com pontos de controle editáveis
Contorno de recorte para plotterDXFÉ o formato que o fluxo de recorte espera
Guardar o arquivo mestre do clienteSVGDe SVG você gera DXF depois; o contrário perde qualidade de edição

Como isso aparece na plataforma

A Comunidade Laser entrega SVG e DXF com medidas em milímetros, prontos para LightBurn, RDWorks, EzCad e CorelDRAW. Na prática você vetoriza uma vez e escolhe o formato conforme o software da bancada — exportar um arquivo já gerado não consome crédito, então dá para levar os dois formatos para a máquina e usar o que importar melhor, sem custo adicional por tentar. No StickerAI, o contorno de recorte sai especificamente em DXF, porque é o que o fluxo de plotter espera.

Nada disso substitui a etapa anterior: arquivo bom começa em imagem boa. Se a arte que chegou do cliente está pequena, borrada ou com fundo complicado, o formato de saída é o menor dos problemas — um DXF perfeito de um contorno ruim continua sendo um contorno ruim. Vale ler como preparar a imagem para vetorizar antes de culpar o vetor, e conferir os modelos prontos quando o trabalho não exigir uma arte exclusiva.

PUBLICIDADE

Continue lendo

PARÂMETROS
Parâmetros de gravação Fiber em copo térmico inox: a ficha completa, passada a passada

A ficha que usamos na produção para copo térmico inox branco — potência, velocidade, frequência e hachura de cada uma das três passadas — com a explicação de por que o valor é esse e o truque da bucha entre passadas.

PARÂMETROS
Parâmetros de gravação Fiber em placa de inox escovado: uma passada, potência baixa e espaçamento fino

A ficha que usamos para placa de inox escovado — potência baixa, velocidade lenta, espaçamento 0,01 mm e uma passada única — com a tabela de ajuste de velocidade por lente e o motivo de cada escolha.

PARÂMETROS
Hachura no EzCad: o que cada um dos 24 campos faz de verdade

A caixa de diálogo Hachura tem 24 campos e a maior parte deles você configura uma vez e nunca mais toca. Este guia separa o que muda no dia a dia do que é ajuste de instalação, e explica o sintoma visual de errar cada um.

Comunidade Laser

Plataforma de vetorização e cursos para corte e gravação a laser.

Produto
VetorizadorModelos & APIPlanos
Aprender
GuiasPerguntas frequentesDocumentação da API
Empresa
SobreContato
Legal
Termos de UsoPrivacidadeCookies
© 2026 Comunidade Laser
PT-BR