Parâmetros de gravação Fiber em placa de inox escovado: uma passada, potência baixa e espaçamento fino
Antes de aplicar: estes parâmetros vêm de testes com equipamento e material específicos. Máquina, lente e lote do material mudam o resultado — sempre valide numa peça de teste antes de gravar a peça do cliente.
Placa de inox escovado é o trabalho em que o erro aparece mais. Copo fica na mão, gira, é visto de longe. Placa fica pregada na parede, na altura dos olhos, e quem recebeu vai chegar perto para ler o nome. Qualquer listra na hachura, qualquer borda com rebarba, qualquer área que ficou cinza em vez de fechada, aparece.
Esta é a ficha que usamos para placa de inox escovado em máquina Fiber, com os nomes dos campos exatamente como aparecem no EzCad. Ela é quase o inverso da ficha de copo térmico inox — e entender por que ela é o inverso vale mais do que decorar os números.
A ficha
| Campo (EzCad) | Valor | Unidade |
|---|---|---|
| Potência | 40 | % |
| Rapidez | 120 | mm/s |
| Frequência | 40 | KHz |
| Tipo de hachura | Bidirecional | — |
| Cros-Enchimento | Desligado | — |
| Ângulo | 90 | ° |
| Espaçamento | 0,01 | mm |
| Atraso de abertura | -300 | µs |
| OFF luz Delay | 100 | µs |
| Atraso de marcação | 300 | µs |
| Canto atraso | 100 | µs |
| Passadas | 1 | — |
Por que aqui é o oposto do copo
No copo térmico, o que o laser faz é remover tinta. A peça é inox pintado, e a marcação branca que aparece é o metal por baixo sendo revelado. Como o trabalho é tirar camada, a receita é energia moderada repetida: várias passadas rápidas, cada uma levando um pouco do revestimento, até o contraste fechar.
Na placa de inox escovado não existe tinta para remover. O laser está atuando no próprio metal, alterando a superfície para criar contraste. Isso muda tudo: a marca não se constrói por camadas acumuladas, ela se forma no momento em que o feixe passa. O que decide o resultado não é quantas vezes você passa, é quanto tempo o feixe fica sobre cada ponto.
Daí a inversão. Contra as três passadas a alta velocidade do copo, a placa pede uma passada só, lenta e com potência baixa. Os 40% de potência a 120 mm/s entregam energia de forma contínua e controlada; o metal recebe calor suficiente para mudar de aparência sem ser cavado. Se você tentar acelerar e compensar com mais potência, o que muda não é só o tempo de máquina: a mesma energia entregue em menos tempo concentra calor, e a marcação sai com borda áspera em vez do acabamento uniforme que a peça pede.
E repetir passada aqui costuma piorar em vez de melhorar. Uma segunda passada sobre uma marcação que já está pronta engrossa o traço, come detalhe fino de letra pequena e tende a deixar a área com brilho irregular, porque a superfície que a segunda passada encontra já não é a mesma que a primeira encontrou. No copo isso não acontece: lá ainda há tinta para tirar, e cada passada tem trabalho a fazer.
Espaçamento 0,01 mm: o número que faz o acabamento
Espaçamento é a distância entre uma linha de hachura e a próxima. Na ficha do copo ele está em 0,05 mm; aqui ele está em 0,01 mm, cinco vezes mais fino. Essa é a escolha que separa uma placa de homenagem de uma plaquinha de teste.
Com as linhas praticamente encostadas, o preenchimento fica sólido: não há sulco entre elas, não há listra, não há variação de tom conforme o ângulo da luz. Numa peça que vai ser lida de perto isso é decisivo. O espaçamento mais aberto que funciona bem num copo, na placa, aparece como um chuviscado na área preenchida assim que a luz bate de lado.
O preço é tempo. Espaçamento cinco vezes mais fino significa cinco vezes mais linhas para percorrer a mesma área, e a isso soma-se a velocidade baixa — 120 mm/s contra os 2500 mm/s da ficha do copo. Placa de inox escovado é trabalho demorado por natureza; se o seu orçamento foi calculado com o tempo de máquina de um copo, ele está errado.
Vale a inversão do raciocínio também: se você abrir o espaçamento para ganhar tempo, não é só o acabamento que muda de qualidade — muda a quantidade de energia total que a área recebe, porque sobra metal não atingido entre uma linha e outra. O resultado não é a mesma marca feita mais rápido, é uma marca diferente, mais clara e menos uniforme. Tempo de máquina, nesta ficha, é parte do resultado e não desperdício.
Por que o Cros-Enchimento fica desligado
No copo o Cros-Enchimento é ligado, e por um motivo específico: ele cruza a direção do preenchimento entre as camadas. Isso só faz sentido quando existem várias camadas. Com três passadas no mesmo ângulo, as mesmas linhas seriam apenas aprofundadas e o resultado ficaria estriado; cruzando, o preenchimento fecha.
Aqui há uma passada só. Não há segunda camada para cruzar com a primeira — ligar o cruzamento simplesmente faria a máquina percorrer a área duas vezes dentro da mesma passada, o que é exatamente o problema descrito acima: energia dobrada num trabalho que já está calibrado para uma dose única. Quem fecha o preenchimento nesta ficha é o espaçamento de 0,01 mm, não o cruzamento.
Velocidade por lente
Este é o ajuste que mais gera erro na hora de levar a ficha para outra máquina. Todo o resto se mantém — potência, frequência, hachura, espaçamento, atrasos. Só a velocidade muda conforme a lente.
| Lente | Rapidez | Unidade |
|---|---|---|
| 100x100 | 1000 | mm/s |
| 200x200 | 150 | mm/s |
| 300x300 | 140 | mm/s |
O motivo é físico. Lente maior significa campo de marcação maior e distância focal maior, e a energia do feixe não se distribui do mesmo jeito nos dois casos. Na lente de campo pequeno o feixe chega mais concentrado no ponto, entrega mais energia por área e por isso pode — e precisa — correr muito mais rápido para não exagerar na dose. Conforme o campo cresce, o ponto abre, a densidade de energia cai, e a única forma de devolver a mesma dose ao metal é baixar a velocidade, deixando o feixe mais tempo sobre cada ponto.
Repare no formato da tabela: entre a 200x200 e a 300x300 a diferença é de 10 mm/s, quase nada, enquanto para a 100x100 o valor salta para 1000 mm/s. Os dois ajustes não são da mesma natureza. Sair de 200 para 300 é um acerto fino; sair de 200 para 100 é outro regime de trabalho. Isso também explica por que não adianta interpolar a velocidade para uma lente que não está na tabela: os números registrados não formam uma reta da qual se possa tirar um valor intermediário. Lente fora da tabela significa teste em retalho, começando pelo valor da lente mais próxima e ajustando a partir dali.
Uma observação sobre a leitura da ficha: o campo Rapidez está gravado como 120 mm/s, e a tabela acima é a correção anotada na própria ficha para cada lente. Se a sua lente está na tabela, o valor da tabela é o que vale. Antes de rodar, confira qual lente está montada na máquina — é justamente o campo que ninguém confere, porque a lente não aparece na tela do EzCad junto com os outros parâmetros.
O escovado tem direção
Inox escovado não é uma superfície neutra: ele tem uma textura com sentido, riscos paralelos que correm numa direção. A ficha usa ângulo 90° na hachura, e a leitura visual da peça muda conforme esse ângulo se relaciona com o sentido do escovado.
Hachura acompanhando o sentido dos riscos tende a se misturar com a textura, e a área marcada parece menos densa dependendo de onde a pessoa está olhando. Hachura atravessando os riscos cria uma separação mais clara entre o marcado e o não marcado, mas pode acentuar a aparência de trama na área preenchida. Não existe resposta única: o que existe é a obrigação de decidir isso de propósito, olhando a chapa antes de posicionar a arte, e não descobrir depois que a placa ficou estranha porque a peça entrou girada na máquina.
Vale um cuidado prático: quando o pedido tem várias placas iguais, entre todas com o escovado no mesmo sentido. Duas placas com parâmetros idênticos e chapas giradas em 90° uma em relação à outra saem com aparência diferente, e o cliente vai reparar quando colocar as duas lado a lado.
Teste em peça, sempre
Parâmetro é ponto de partida. Máquina, lente, altura focal e o lote da chapa mudam o resultado — inox escovado de fornecedores diferentes reage de forma diferente, e a espessura da chapa influencia em como o calor se dissipa.
E aqui existe um agravante que não existe no copo: placa de homenagem costuma ser peça única. Não há segunda chance, não há base escondida para testar como no copo, e o nome gravado é de uma pessoa específica. Antes de mandar na placa do cliente, rode a mesma arte, no mesmo tamanho, num retalho da mesma chapa. Retalho de outro lote não serve como teste. Confira nele o preenchimento, a borda das letras menores e como a área marcada se comporta com a luz batendo de lado — que é como a placa vai ser vista na parede.
A arte precisa estar limpa
Com espaçamento de 0,01 mm, a hachura reproduz fielmente o contorno que receber. Isso é ótimo quando o vetor está bom e é cruel quando não está: contorno aberto deixa área sem preencher, contorno com serrilhado vira serrilhado visível, e logotipo redesenhado por cima de um JPG pequeno mostra cada degrau da baixa resolução. Em letra pequena de nome e data, esse é o defeito que mais aparece.
É essa parte que a Comunidade Laser resolve: você envia a imagem e recebe o SVG ou o DXF com contorno fechado e dimensão em milímetros, pronto para importar no EzCad. Se quiser entender melhor o que faz uma imagem vetorizar bem, veja como preparar a imagem; para entender o comportamento do preenchimento, veja o guia de hachura no EzCad.
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A ficha que usamos na produção para copo térmico inox branco — potência, velocidade, frequência e hachura de cada uma das três passadas — com a explicação de por que o valor é esse e o truque da bucha entre passadas.
A caixa de diálogo Hachura tem 24 campos e a maior parte deles você configura uma vez e nunca mais toca. Este guia separa o que muda no dia a dia do que é ajuste de instalação, e explica o sintoma visual de errar cada um.
SVG é formato de web, DXF é formato de CAD. A diferença aparece na hora que o arquivo entra no software da máquina e o tamanho não bate. Como escolher, o que checar depois de importar e por que hachura não viaja dentro do arquivo.
